sexta-feira, 6 de abril de 2012

Moto

O Moto é um restaurante de comida avant garde em Chicago comandado pelo chef Homaro Cantu. Liofilização, sous vide, nitrogênio líquido, esferificação e até laser são rotina na cozinha / laboratório.
O restaurante fica próximo de um mercado movimentado de dia, mas bem deserto à noite, tem que ir de taxi. A entrada é pequena e discreta dá direto para uma sala com balcão de bar e cabines onde grupos de 4 podem comer com mais privacidade. A sala de jantar principal é bem iluminada, decoração minimalista com mesas de madeira escura sem toalha. O atendimento é excelente e impecável. O atedente principal da minha mesa foi extremamente simpático, servindo inclusive 2 taças de vinho que não faziam parte da minha harmonização com vinhos.
Pratos muito elaborados, com vários elementos em cada um deles é a regra - entrarei em detalhes após cada foto (fotografei quase todos os pratos).
Valeu muito a pena embora eu ache que as sobremesas não tenham sido o ponto alto.


Foto 1: a primeira coisa comestível é o cardápio - vem impresso numa folha de papel de arroz, que a gente enrola com os ingredientes formando um rolinho de verão pra molhar em um molho de abacaxi.




Foto 2: vários legumes preparados cada um de uma maneira diferente. Nas pontas tem 2 macarrões de arroz liofilizados super crocantes.




Foto 3: 3 pedaços de hamachi (um peixe havaiano) cozidos sous vide, cada um com acompanhamentos diferentes. Todos preto e branco. O melhor de todos foi um purê de arroz selvagem.




Foto 4: esse era bem interessante - eles pegaram um frango e liofizaram, transformaram em pó e incorporaram na farinha para fazer um macarrão com gosto de frango. O garfo é torcido e dentro do cabo vai um ramo de alecrim para sentir o aroma enquanto come. Legal :)




Foto 5: um gazpacho de amêndoas com várias coisinhas, entre elas uvas carbonadas.




Foto 6: esse foi o melhor da noite - um dos camarões mais gostosos que já comi, confitados em azeite, acompanhados de um sorvete de pipoca coberto de milho liofilizado tostado crocante.




Foto 7: esse era uma farofa de amêndoas sobre um purê de cerefólio, com bolinhas de queijo cobertas de cacau. Arrumados como se fosse um jardim japonês. Legal, mas não estava gostoso.




Foto 8: todos os ingredientes de um cassoulet num palito, para ser comido em uma bocada. Para acompanhar uma baguette tostada e uma manteiga com tutano assado - muito bom, mas podia ter um gosto mais intenso.




Foto 9: um marshmellow tostado como um creme brullee defumando na própria mesa. Bem bom.




Foto 10: essa é a bocada final - literalmente é uma bomba! Parece uma bomba de desenho animado que vem com o pavio aceso e vai queimando. Quando a gente morde o recheio líquido de bolachas Graham com amendoim estoura na boca. Muito gostoso!

Alinea

O Alinea acabou de ganhar a sua terceira estrela do guia Michelin, sendo o único restaurante de Chicago com essa classificação. No guia original 3 estrelas significavam: comida de altíssima qualidade, que vale uma viagem apenas para conhecer o restaurante. Vale? Vale cada quilômetro.
O chef Grant Achatz é um dos chefes mais inventivos dos Estados Unidos e serve uma comida refinada muito moderna. Reservas são essenciais e devem ser feitas por telefone com mais ou menos 3 meses de antecedência.
O restaurante fica localizado numa área mais afatada do centro em uma casa escura com uma vizinhança pouco movimentada. O corredor de entrada do restaurante é preenchido por uma luz púrpura que já coloca você no espírito da experiência. No final uma porta automática se abre para dar acesso ao restaurante muito bem decorado, minimalista, com iluminação indireta e sem toalha sobre as mesas de madeira escura. Atendimento impecável, atencioso e cortês (típico de um restaurante 3 estrelas) com uma média de 6 pessoas atendendo e servindo apenas 4 mesas.
Não existe cardápio, é servido apenas o menu degustação que varia de acordo com a estação do ano. Os pratos podem consistir de bocadas (uma mordida apenas) ou porções mais substanciais. Os garçons explicam os ingredientes e o preparo de cada prato quando este é servido e, se você faz alguma pergunta que ele não saiba responder, em poucos minutos retorna com a resposta do chef sobre o preparo ou o ingrediente.
A sucessão de pratos combina texturas, sabores e aromas de uma maneira surpreendente e você percebe bem o trabalho e cuidado gastos no preparo. Técnicas inventivas são uma costante, dentre elas a mais surpreendente foi um balão comestível inflado com hélio aromatizado sabor maçã verde. Entrarei em detalhe nos pratos mais à frente.
Óbvio que tudo isso custa dinheiro mas, vale à pena? Depende do quanto você gosta e a importância que uma experiência dessas tem pra você. Pra mim valeu. E muito.
Vou postar algumas fotos com comentários - estão escuras porque a iluminação era fraca e não podia usar flash.


Foto 1: Menu - a cada prato é atribuído um círculo. O tamanho do círculo indica a quantidade de comida servida - quanto mais para direita mais doce é o prato, consequentemente quanto mais para esquerda mais salgado. Dá pra observar bem que existe uma alternância para não cansar o paladar.




Foto 2: Um coral coberto de algas exalando cheiro do mar com quatro mariacos cada um com um preparo diferente. Sendo que um deles, na verdade, era uma folha de lima kaffir preparada de maneira a ter todo o gosto de um curry tailandêa com ostra, mas sem ostra nenhuma. Impressionante.




Foto 3: uma mousse de vieiras cozida de maneira a ficar com consistência de tofu mole e servido como um agadashi tofu - empanado e servido com um dashi que é preparado na própria mesa usando um destilador.




Foto 4: desde o início fica na mesa uma pedra de gelo enorme com um túnel preenchido por um líquido roxo. Ele fica lá até que o garçon traz uma canudo de vidro pra aspirar uma sopa de beterraba muito parecida com um borsch.




Foto 5: o mais legal desse prato é que ele é servido sobre um travesseiro. Dentro do travesseiro tem uma bolsa recheada de ar que vai esvazia com o peso do prato e liberando um aroma defumado de pinho e outras madeiras.




Foto 6: explosão de trufa - um raviolo recheado de caldo de trufas que, literalmente, explode dentro da boca. Sensacional.




Foto 7: degustação de gengibre - 5 tipos de gengibre diferentes cada um preparado de maneira diferente.




Foto 8: esse era parte de uma das sobremesas. Parece água, mas na verdade é um destilação de chocolate quente. Tem todo o gosto de chocolate mas é transparente como água!




Foto 9: esse foi muito legal! Era um balão comestível que vinha flutuando mesmo! O fio era maça desidratada, o balão era um toffee de maçã e o ar era hélio aromatizado de maçã. Depois de tudo, você ainda fica falando com a voz fina :) Genial!




Foto 10: última sobremesa - o chef vem à mesa e “pinta” um quadro no estilo Pollock, enquanto nitrogênio líquido é derramado dentro de uma esfera de chocolate. No final ele quebra a bola que revela tudo que estava dentro, como aqueles vasos que são quebrados nas festas de São João. Muito mais interessante pelo mis en cene do que pelo gosto.

Restaurantes estrelados

Muitas vezes me perguntam se vale a pena comer em um restaurante estrelado. Ou melhor, a real pergunta é: vale a pena gastar tanto?
Quanto você pagaria para ver um show do seu artista favorito? Quanto você pagaria por uma bolsa? E pular de paraquedas? Uma aula de alguém que você admira?
Geralmente quando você vai comer em um restaurante estrelado o menu degustação é a pedida - às vezes é a única opção. Com isso você consegue entrar um pouco na cabeça do chef e ver qual é a relação dele com a comida, qual a sua abordagem, o cuidado que ele tem com os ingredientes e etc. A sucessão dos pratos dura em média duas horas - muito mais do que um show da finada Amy Winehouse, por exemplo. Sem contar que você volta pra casa muito melhor alimentado.
Usa ingredientes que estão na época? Manipula muito ou pouco os alimentos? Se mantém tradicional ou inova? Usa influências de outras cozinhas? Texturas? Sabe brincar com os aromas?
É uma oportunidade para se conhecer ingredientes, técnicas, formas de apresentação e combinações que eram desconhecidas. Sobretudo, é uma fonte de inspiração pra quem gosta cozinhar - como isso ocupa uma parte muito importante da minha vida (e barriga), eu vou sempre que posso.
Lógico que da mesma maneira que não compro tudo que quero, também não como tudo que quero. Mas se eu acho que vale à pena e, principalmente, se posso pagar, eu vou. E vou com muita fome.

The Hopping Pig

Hoje passei na frente de um bar chamado “The Hopping Pig” (o porco saltitante), com esse nome tive que entrar pra conhecer. Lugar pequeno, todo de madeira, meia luz, rock tocando alto e uma linha de torneiras de chopp quase do mesmo tamanho que o balcão. Já gostei. Com aproximadamente 40 chopps disponíveis fui pelo nome: “arrogant bastard” - nem precisa traduzir. É uma cerveja estilo ale bem escura, 7,2% de teor alcoólico, médio amarga e malte bem tostado. Pelo nome nem precisa dizer que o cardápio gira em torno de pratos feitos com porco. Pedi o hamburguer da casa: misto de carne bovina e suína, cebolas carameladas, cogumelos refogados no bourbon, bacon, pimenta jalapeño, queijo hammer jack e fritas. Em cada mordida dá pra sentir todos os ingredientes: os cogumelos com o gosto amadeirado do bourbon, carne suave pela mistura com o porco, cebolas adocicadas e uma leve ardência dos jalapeños. Total da noite: US$20 contando a cerveja. Vale muito a pena.

Voltei alguns dias depois. Comi um hamburguer com um gouda curado delicioso e, batatas doces fritas - fiquei viciado instantâneamente!!! Preciso aprender a fazer...





J.Wok

Em uma esquina do Gaslamp District (Market x 8th St) de San Diego está o J. Wok, um pequeno restaurante “descolado” de comida asiática, sobretudo tai e chinesa.
De entrada pedi um pãozinho chinês assado no vapor. Macio e leve como um travesseiro, recheado com um refogado de porco caramelado levemente adocicado. Pedi um pouco de molho picante para dar uma graça e me arrependo até agora da minha graça…

Ao ver o cardápio meus olhos foram direto para o Phad Thai - um prato de macarrão de arroz típico da Tailândia - adocicado, azedinho, salgado e levemente picante que resume bem a filosofia da comida tailandesa. Delicioso! Muito próximo dos que comi quando fui lá. Comentei isso com a atendente e ela revelou que a chef era tailandesa e conseguia quase todos os produtos frescos aqui mesmo.
A sobremesa foi um Jroll, uma especie de churro feito com uma massa folheada por fora e macia por dentro, recheado de açúcar e leite condensado - muito gostoso, mas enorme para uma pessoa só.
Total: US$20 sem bebida - não servem álcool e a água com gelo é de graça. Voltarei com certeza.

Pão no vapor com recheio de porco.




Pad Thai




J Roll












E voltei.

E comi:

- Tom Kha Gai: sopa de leite de côco, com cogumelos, legumes e cubos de frango. É uma das minhas comidas preferidas em todo o planeta! Deliciosa - dificilmente você consegue tanto sabor concentrado por US$5.

- Sopa de wonton: caldo de galinha forte, bem saboroso e nada rançoso. Os wontons estavam gostosos, mas poderiam ter um gosto menos delicado para contrabalancear.

- Rolinhos primavera: recheados de frutos do mar, basicamente camarão, crocantes e levemente apimentados.

Pizza de Chicago

Cada lugar tem sua pizza: Nova York tem a sua clássica massa fina e crocante com molho de tomate grosso e concentrado, Milão tem a massa grossa como um pão e poucos ingredientes, São Paulo tem todos os tipos. Nenhuma delas é a melhor porque gosto pessoal não dá pra comparar. Mas uma coisa elas têm em comum: massa achatada com os ingredientes em cima. A pizza no estilo de Chicago é outra coisa, quase uma comida diferente. Chamada de deep dish pizza (pizza de prato fundo) ou stuffed pizza (pizza recheada), parece mais uma torta. Massa crocante, recheio farto com muito queijo derretido e molho de tomate além de uma variedade de ingredientes à escolha. Outra diferença é que a pizza tradicional geralmente é comida do centro para as bordas, enquanto que essa daqui você começa pela borda e vai cavando o seu caminho em direção ao centro. É razoavelmente pesada, mas é uma delícia!
A primeira que comi foi na Pizzeria Uno, o lugar que inventou esse estilo. Acho que, sempre que possível, devemos provar o original antes das “inspirações”. Fica numa esquina próximo a Michigan Avenue. É uma casinha de esquina que mais parece um pub do que uma pizzaria, embora seja aconchegante. Sentei no balcão e fui atendido pelo barman (mexicano) muito simpático que me deu várias dicas de outros lugares para quando voltar aqui. Pedi uma cerveja local e ele me serviu dois pequenos copos para eu provar e escolher a que gostasse mais - ponto positivo. Pedi o especial de almoço, uma pizza individual no sabor da casa com queijo, molho de tomate, cogumelo, cebola, carne e pimentão. Acompanhava uma salada ou sopa de entrada por US$9, pechincha! A massa da pizza era crocante, uma surpresa pela quantidade de recheio, salgadinha com gosto de pizza de lanchonete de colégio bem tostada - e não falo isso de uma maneira ruim! Dispensaria apenas a quantidade enorme de pimentões. Vale a pena.
Depois fui na Giordano’s, outra bem tradicional. Também fica perto da Michigan Avenue e a casa é bem maior, com atendimento educado mas não tão simpático - mas nada que comprometa a experiência. Pedi também a pizza individual especial do almoço, mas dessa vez escolhi os sabores: queijo, tomates frescos, pepperoni e anchovas. O garçon me disse: ” a espera vai ser de 40 minutos…” Desacreditei e comecei a tomar minha Blue Moon com laranja (depois escreverei sobre as cervejas daqui). A pizza tinha um tamanho parecido com a outra só que a massa era um pouco menos crocante e mais pesada. O recheio estava gostoso com bastante queijo derretido. Custo: US$13 contando a cerveja. Vale mais a pena ir na Pizzeria Uno.


Comida de estádio

Sempre que posso vou a um jogo da NBA. Os estádios são um show a parte e o United Center é provavelmente o mais estruturado que vi em matéria de comida. Além dos clássicos: pipoca, pretzel, nachos, hot dog e hamburguers; tem comida italiana, pizza, bar espanhol de tapas, comidas mexicanas, carnes grelhadas (grelhadas mesmo, não são na chapa) e uma variedade de, pelo menos, 6 tipos de cerveja diferentes.
Estando Chicago você tem que comer um hot dog, escolhi um kosher com carne de boi apenas. Salsicha crocante e suculenta (como só os americanos sabem fazer) dentro de um pão mole com mostarda picante.
Comida em estádio aqui também é cara: US$6,25 o hot dog e US$7 a cerveja local.